FALECE MÁRCIO MALATESTA

Muitos o viam pelas ruas do bairro, vestido com roupas bem pobres, há poucos meses já andava com uma bengala.

Os mais antigos porém o conheciam , paravam para conversar com ele , dono de uma cultura invejável, falava três idiomas, porém há alguns anos sofria , segundo parentes ,de esquizofrenia que cada vez mais se agravou.

Várias pessoas que o conheciam de passagem achavam que fosse um morador em situação de rua. Não bebia, não fumava , não usava drogas, volta e meia ia à Igreja Santo Antonio do Pari , onde participava de cerimonias de maneira respeitosa. Tinha residência própria , onde residia sozinho, na rua Paschoal Malatesta , por sinal seu trisavô.

Tratava a todos com respeito e a quem lhe dirigia a palavra os recebia sempre com um sorriso.

Dias atrás foi encontrado morto na sua casa pela polícia , chamada por um vizinho pois de sua casa exalava um mau cheiro.

Todos que o conheciam ficaram tristes , pois era uma pessoa boa e o que nos resta agora são as nossas preces, para que Deus lhe dê muita luz e guarida.

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HISTÓRIA DO BAIRRO PELO TONINHO

PARIENSE DA GEMA,
Denomina-se ”da gema” pela pessoa ter nascido de dois parienses,
ou alem, por ser considerado Pariense antes do seu nascimento, 
portanto :
Gerado no Pari
Nascido na Pari
Batizado na Pari
Crismado no Pari
1a, Comunhão no Pari
Estudado no Pari
Casado no Pari
Bodas de Prata no Pari
Bodas de Ouro no Pari
…………….
A foto lembra do meu casamento (1959), celebrado pelo
saudoso Frei Agostinho.

Abraços 
ANTONIO P. AUGUSTO (para os mais íntimos TONINHO,ou TUNINHO)

Mais uma importante colaboração do Antonio P. Augusto.




REPÚBLICA DO PARY

Mais uma história do Pari e mais uma história do Livro do Laudo Paroni, ” Parimemória”.

Hoje o Laudo José Paroni nos conta sobre um repórter policial e redator -chefe do jornal

” Notícias Populares” Ramão Gomes Portão. Já falei anteriormente sobre ele , atribuindo-lhe a autoria do termo República do Pary. Na verdade o autor foi o Laudo, mas o Ramão foi o grande divulgador.

Tive o prazer de conhecer o Ramão. Era uma figura humana incrível, jornalista e escritor,  de uma inteligência incomum.

O pessoal do Dragão Paulista ( veteranos ) a que se refere o Ramão na crônica é o da foto acima.

Essa foto , inclusive é do dia desse jogo contado pelo Ramão.

O citado Duca está na fileira em pé e é o segundo da direita para a esquerda, seu nome era ou é, pois

eu acho que os nomes são imortais o que morre é a carne, como dizia, seu nome Armando Monteiro.

O outro citado é o meu grande ídolo, exemplo de fibra e abnegação, desculpe a falta de modéstia,

meu pai, o Jayme, que na foto está na fileira em pé, o quarto da direita para a esquerda.

Em postagem anterior quando mostrei essa foto , citei o nome de quase todos os atletas dragonianos.

Mais uma explicação, o dentista dito na crônica era o Dr. Vautier, dentista francês que era dono de uma vasta extensão territoral e  que cedeu aos frades franciscanos a área para a construção da nossa bela Igreja da foto.

O prédio onde está a tradicional Padaria Luso Balneária ainda hoje é de propriedade da família Vautier Franco e o nome do prédio , como podemos ver na placa situada na entrada do citado edifício nos mostra as iniciais maiúsculas  EV, ou seja Edifício Vautier.

Agora vamos a mais um trecho do livro do Laudo:

REPÚBLICA DO PARI

           Em 1969, o jornalista, escritor e poeta Ramão Gomes Portão publicava em sua coluna “Flagrantes”, do jornal Notícias Populares, duas belíssimas crônicas referentes ao Pari.  A primeira delas, sob o título “República do Pari”, é de 8 de agosto de 1969. Ei-la:  

         “Muita coisa  vai ser revivida amanhã, no campo do Estrela do Pari. Homens e fatos. Duas equipes de veteranos se encontrarão com  a finalidade de se divertirem e de matar saudades, no que fazem muito bem. Jogadores do Sereno vão bater bola com os craques do Dragão Paulista – e este time, por si só, já é um mundo de recordações agradáveis.

          É bom que eu me explique logo: repentinamente, eu me vi apaixonado pelo bairro do Pari. A República do Pari, como eu gosto de falar, imitando o Laudo Paroni. Interessou-me um fato, uma pessoa, um episódio, uma lenda – fui por aí afora descobrindo o bairro todo como um mundo de tradição e, infelizmente, sem o cuidado necessário para guardar essa relíquia. É preciso que um Duca venha nos contar, com paciência, como eram as histórias do Mato do Dentista*, ao lado da Igreja de Santo Antônio – a molecada roubando frutas e participando de brigas homéricas.

        Falei no Duca  e vou continuar nele. Quem vê aquele crioulo que já passou de meio século, encontra na sua pessoa duas coisas: a simplicidade e o devotamento pelo seu pedaço de São Paulo. E ninguém o tirará dele. Lá estão as raízes da sua personalidade. Cada esquina é uma história. Cada personagem, uma rememoração sadia. Foi o próprio Duca quem me contou – e lá está o Jaime, que não me deixa mentir  – a história do enterro de um corcunda. Não importa o nome agora. Um dia ainda chegarei aos detalhes.

       A ordem era o banho no defunto. E um amigo se vangloriava do serviço:

        – E o finado ficou limpinho que dava gosto…

       Mas, finda a operação banho, veio o impasse. O corcunda não cabia no caixão. Todos se entreolharam e pensaram a mesma coisa, ao mesmo tempo. Ele teria de voltar ao normal na marra. Parece que o Duca  ficou firmando o ombro do cidadão. Ou firmou os pés? Sei lá. Lá estava a cena armada. Houve quem se persignasse, aquela paradinha para uma oração – e plat ! O corpo voltou ao normal. Aliás, o enterro foi concorridíssimo.

       Mas deixa isso pra lá. Por enquanto, é o jogo de veteranos. Muitos estarão presentes só para  ver amigos. Relembrar episódios. E ver que a vida tem isso de ruim: passa muito depressa…”

Nota – O Mato do Dentista ficava onde está o prédio da  Padaria Balneária, na esquina da Rio Bonito com a Hahnemann.