INAUGURAÇÃO DA PARÓQUIA

monografia-iii

Trecho de abertura de uma Monografia publicada quando do Jubileu de Ouro da Igreja Matriz de Santo Antonio do Pari em 1974. Nos referimos ao templo, pois a paróquia foi criada em 1914.  Esta importante obra nos foi ofertada pela pariense Maria Aparecida Ferroni Rocho, que inclusive no verdadeiro mutirão para se construir nossa querida igreja com muito  orgulho diz que houve a participação de seus dois avôs .

DON JUAN LUSO

Corriam os anos 40 , o mundo abalado pela II Guerra Mundial.
Os hábitos mudando rapidamente , principalmente na nossa ci-
dade, onde o progresso era constante , inclusive víamos por
toda parte o lema “São Paulo, a cidade que mais cresce no
mundo!”.
Rita Adelaide vivia no seu mundo de sonhos, fazendo seu en –
xoval, como era o costume na época, excelente e prendada mo –
ça de família. Não trabalhava fora , hábito em transformação,
mas então muito arraigado  nas famílias paulistanas em geral e
parienses em particular.
Tinha um noivo, o português Manoel Aleixo, tido como bom par-
tido por todos, dado aos seus bons hábitos de bom moço, reli-
gioso, respeitador e trabalhador. Porém a vida de Aleixo era
digamos, um mistério, não tinha parentes no Brasil, não rece-
bia cartas de Portugal ( ah, meus parentes são analfabetos di-
zia e muito pobrezitos também ).
Um dia, veio a bomba , Aleixo encontrou um conterrâneo no bair-
ro, inclusive da mesma aldeia. Abraçaram-se , até choraram de
emoção, aí vieram as perguntas, onde moras? o que estás a fazer?
estás só?
Diante do constrangimento de Aleixo, seu amigo o Arthur, passou digamos
a vigiá-lo .
E como dizia o velho seu André, antigo morador do Alto do Pari, do qual já falei, analfabeto , mas um sábio ,
após uma pitada no seu velho pito de barro:”Quem procura , acha, eheheh “.
O Arthur viu o Aleixo com sua noiva um domingo de braços dados e
até com uma prima segurando vela , conforme costume, saindo do
cine Rialto, os dois pombinhos, enamorados, românticos e entu –
pindo a vela de Sonhos de Valsa e pipocas doces, para que a mes-
ma não visse os beijos e abraços , um pouco mais ousados.
Não deu outra, Arthur , deu a volta no quarteirão e os encontrou
de frente e manifestando surpresa os saudou efusivamente.
Diante de tanta festa , Rita interpelou Aleixo, tão logo Arthur
se afastou, quem é? como? tu disseste que não tinhas ninguém aqui
e se é amigo do trabalho, porque ele disse há quanto tempo !!!
Bom, não precisamos dizer que a priminha segura vela, seguiu à ris-
ca sua missão , de nada adiantando o suborno e promessas de cai-
xas de bombons, sandálias novas , etc.
Após indagada, veio o relatório completo.
Foi uma encrenca total !
Diante de tantas perguntas e com o Arthur rodando a casa de Rita
cada vez mais, Aleixo lhe deixou a incumbência de comunicar à fa –
mília da noiva a notícia , pois temia agressões, xingamentos de
seus vários parentes.
Aleixo voltou a Portugal e Arthur entrou na casa de Rita, falando
a verdade e o criticando ferozmente para que não sobrasse para ele também.
Importante, Arthur era cunhado de Aleixo, cunhado ! irmão da espo-
sa de Aleixo e tio de quatro lindos miudos,claro , filhos do galã, o Manel, o Quim, o To-
nico e o Tuzito, afilhado do alcaguete.
Depois desse dia, foi uma gozação da parte de alguns vizinhos e uma revolta da parte da maioria, procuraram sem sucesso, pois não sabiam onde o Dom Juan morava , até na agência de viagens foram procurá-lo, mas já era tarde , seu nome constava da lista de passageiros de um
navio que já havia partido para a santa terrinha há alguns dias.
No final das contas, bem que o Arthur tentou ser o ombro amigo, tentou até namorar  a Rita, porém foi rechaçado , pois apesar de tudo ela o via como um estraga prazeres, vai entender …

 

Jayme Antonio Ramos