HISTÓRIAS DE CADA UM

Vamos ao livro de Laudo José Paroni:

Memórias de cada um  – Arnaldo Cerratto

ANOS DOURADOS

Corria o ano de 1954. Tempo de Copa do Mundo na Suíça, comemoração do IV Centenário da cidade, inauguração da Catedral da Sé, o suicídio de Getúlio Vargas, Café Filho assume a presidência da República, Lucas Nogueira Garcez governa o Estado, Jânio Quadros é o prefeito  da Capital. E eu no apogeu dos meus 20 anos de idade.

Tudo era festa, mesmo com a nossa seleção não chegando às finais da Copa. Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos disputavam o campeonato paulista, aparecendo a Portuguesa, com um timaço, correndo por fora. O Corinthians fica com o título . No Rio,  o  Flamengo sagra-se campeão carioca, com  um time de arrasar.

Lembro-me perfeitamente dos dias maravilhosos que passávamos naquela época. Podia-se andar tranqüilamente pelas ruas, tanto de dia como à noite. Não existiam tantas modalidades criminosas – tráfico de drogas, seqüestros e outros do gênero. A ocorrência mais comum era a ação dos batedores de carteira. Tiravam a carteira do bolso da vítima com tanta habilidade que  eram conhecidos como “mão leve”. O ladrão mais famoso, o Meneghetti, entrava nas casas sem fazer o menor ruído  e… desarmado! Só queria mesmo o dinheiro. Quando cercado pela Polícia, dava um verdadeiro “baile” nos homens da lei. Furava o cerco pulando os muros dos quintais ou escapando pelos telhados. O traficante de maconha mais popular ( naquela época Pereira da Costa -, morador do Canindé, vizinho ao nosso Alto do Pari. Puxou muito tempo de cadeia e, além de traficante, era também cafetão. Chegou a dividir com Hiroíto o “reinado” da Boca do Lixo. Mais violento que Quinzinho, Hiroíto era também assassino. Assim, vez ou outra, eu  ficava sabendo de alguns amigos que fumavam maconha, mas nenhum deles ficou dependente da droga.

Bares, quitandas e vendas existiam aos montes. Naquele tempo não havia supermercados e shopping centers, tão comuns hoje. Só no nosso quarteirão, entre a Rua Rio Bonito, esquina com a Rua Itaqui  e a Rua das  Olarias, até a  esquina com a Avenida Carlos de Campos, localizavam-se as vendas do seu José, do Jaime e do Claudino. Entre os bares, estavam o do Virgílio, do Peitudo, do Teixeira e do Farelli, o Pif-Paf. A quitanda era do Natalino e a padaria, da Família Tempone, chamada Padaria Brasil. Os telefones eram raros: só o Tempone (  aparelho  muito usado pelo seu Armando, pai do Waldemarzinho, o bicheiro mais conhecido do pedaço) e o Pif-Paf dispunham desse  meio de comunicação. A única loja desse trecho era da dona Palmira, cuja irmã, dona Ema, era famosa costureira.

Cinema era o maior entretenimento. Alguns exigiam que o público usasse                                terno e gravata e a televisão apenas engatinhava. O bairro tinha os cines Savoy ( Rua Mendes Júnior), Rialto ( Rua João Teodoro com Avenida Vautier ) e, mais tarde, o Haiti, na Rua Canindé. No vizinho Brás havia o Oberdan,  o Brás Politeama,  o  Roxy, o Babilônia, o Glória, o Piratininga e o Universo. Neste, o teto  era retrátil, isto é,  abria-se quando a noite era  de calor e lua cheia, permitindo que se visse o céu cheio de estrelas. Infelizmente, todos foram fechados.Agora, cinema só nos shoppings.    ( continua na próxima semana )

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s