REFLEXÕES DO CURSINI

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REMINISCÊNCIAS (a palavra já diz) DE UM PASSADO TÃO LONGE, MAS TÃO PERTO DE MIM!

Claudio Cursini – c.cursini@terra.com.br

 

Gostoso escrever – claro que não sou a perfeição, não sou o maioral em português, mas às vezes aparecem ideias. E a grande saudade que eu tenho era quando morava no bairro do Pari, -um garoto que morou dos 6 anos até os 26 mais ou menos. Bairros onde moramos, não precisam ser o melhor de São Paulo ou do Brasil ou mesmo o pior. É como quando dois namorados se dão bem e até se amam. Os comentários correm soltos: “Mas o que ela viu nesse cara – tão feio e tão sem graça!” – ou então o contrário: “Eu queria saber o que ele viu nela – menina passada, não sorri e sempre de cara feia, sei lá!” – Pois é, a vida tem dessas coisas – pode não ser o melhor bairro, mas o achamos o melhor do Brasil. E daí, quem tem alguma coisa com isso? Ninguém!

O Pari está ali, sobe a João Teodoro está na Tiradentes – atravessa a Estação da Luz, entra na Cásper Líbero e está no começo da Ipiranga e até a Consolação, já conheceu uma parte do centrão. Principalmente no cruzamento da Ipiranga com a São João, famoso pelo Bar Brahma e pela música do Caetano. E da Ipiranga, vai  entrando à esquerda e tem a Rio Branco, a velha rodoviária, largo Paissandu, Anhangabaú, São João, São Luiz, 7 de Abril, 24 de Maio, Br. de Itapetininga, Praça República, Av. São Luiz e ai vai. São Paulo é complicada, mas quem gosta, gosta e que não gosta, não gosta mesmo. Mas como eu tive uma juventude e a parte adulta por lá, sempre vou gostar. Claro que continua a mesma, mas aumentou tudo – população, carros, ônibus etc.

Voltando ao Pari, minha infância, juventude, muito bom. Todas as minhas alegrias infantis e juvenis trago daquele pedaço de chão, daquele pedaço onde deixei parte do meu coração, aquele pedaço que guarda parte de minha vida. Digo Pari por que foi o principal, mas tinha também Canindé e Brás, tudo junto e até a Mooca. Quando me lembro dessa parte da vida é por que, realmente, deixou-me saudades. Joguei tanto futebol, tanta bolinha de gude, pião, a gente roubava figo e jabuticaba do mato, aquelas grandes do tamanho de uma laranja.  Aquela turma de colegas, amigos – Oscar, Zito, Sidney, Chicão, Marquinho bombeiro, Medina, Reinaldo, Raul, Paulinho, Carlito e Vadão – três irmãos, o Toninho e o Adilson, os portuguesinhos, Serjão, Mandinho do Seu Bernardino, Gordinho, Carlinhos, João Maluco, Lourival, Pedrinho, Daniel e a lista vai longe. E até a Leda e a Dona América, mãe e avó do Pinta. E claro que tinha as meninas, aliás, todas bonitas – sinceramente não tinha uma que a gente pudesse dizer que não era bonita. Se eu esqueci alguém, até me desculpem, por que me lembro bem dos tempos, mas não sou perfeito.

E ainda tinha a Portuguesa de Desportos, no Canindé. Tempo bom de militante. Outra turma também. Nos dávamos todos bem, sem brigas, sem mágoas, afinal não tínhamos motivos pra brigar. Além de nadar, jogávamos futebol de salão – 2×0 ou 10 minutos. Eu chegava a jogar descalço e no começo encheu os pés de bolhas, mas depois acostumaram-se e ai ficou aquela casca dura. A gente apagava cigarro e nem ai. Ou então, naquele tempo a gente jogava com o Bamba ou Kichute. Meu, nem dá vontade de lembrar por que as lágrimas começam a querer escorrer. E eu sou muito sensível e ainda bem que tenho lágrimas demais. Chorei quando morreu o Emilio Santiago, o meu amigo Chicão, quando soube do Medina, do nosso ídolo George Harrison e mais outros. Não sei se ser sensível é bom ou é bobeira. Eu acho que é bom por que demonstramos a nós mesmos o quanto gostávamos da pessoa.

Aquela turma da Portuguesa, da natação – são tantos e provavelmente esquecerei alguém – Vital (que nos comunicamos a pouco), Wanderley, Bonesso, Salvador, Arabian, Élson, Boeing, Helio, Pinta, Pedrinho, Paulinho, Orlando, Osvaldo, Baixinho, Bigo, Saci, Luiz Carlos Stelmaçuk, Romeu, o nosso técnico Itamar, aquele moreno que não tinha pés, mas pés de pato e o frances – não lembro o nome agora. As meninas Nívia e a sua irmã, Ivoti, Inaiá e seus irmãos, Roseli do Saci e a do Izidoro, Vera, Sueli, Leila, Ivone, Floriza, a Vera, tia do Saci – Sei que esqueci alguém, mas a minha cabeça já não tem mais 18 anos.

Ficarei lembrando mais coisas daqueles tempos – sei que a idade vem e pra sempre, mas não custa testar a memória e fazer com que ela esteja sempre em dia, mesmo com a idade – querem saber como podemos ficar assim, velhos, mas memórias novas? Leiam, leiam e leiam, qualquer coisa – jornais, revistas, internet, façam o cérebro estar sempre funcionando – não o deixem cansar e dormir. Ele foi feito para viver mais do que parece, só assim não ficamos malucos, esquecidos e sabendo nada. Claro que cada um é cada um, mas o cérebro, de qualquer maneira, não pode parar de funcionar.

Um abraço a todos e gostei de escrever, aliás, gostei mais de lembrar as poucas linhas acima, mas terei outras mais… até lá…

Claudio Cursini

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