Captura de tela 2019-07-16 às 21.25.26Esta foto é da Cruzada Eucarística Infantil da Igreja Santo Antonio do Pari, nos anos 60.

Nesta foto estão dois de meus irmãos e vários amigos.

Este foi um tempo em que todos os dias eram dias das crianças.

Sisudas nas fotos?  hã, hã, depois que saíam da pose , ninguém segurava, empurra-empurra, chutando pedra, enchendo a paciência das meninas , puxa a trança de uma, dá um tapa na boina da outra.

As crianças tinham tempo para tudo, para ir à igreja, para estudar , para brincar, na rua ou em casa. Jogava-se bola na rua, ou num campinho próximo.

Jogava-se bafo, soltava-se peixinho, quadrado, hoje graças a linguagem global/carioca é  pipa, jogava-se botão, esconde-esconde, apostávamos corridas pelo quarteirão e prestem atenção , morávamos no Pari, bairro da zona centro de São Paulo.

Fazíamos amizade e brigávamos também , aprendíamos a nos defender desde cedo, porque o mundo que nos esperava era de concorrência, guerra, quase como o é hoje. Éramos felizes e sabíamos, tudo com muita simplicidade , mas

não reclamávamos de nada . Dia da Criança? ainda não existia, aliás nem Dia de Na. Sra. Aparecida era, pois o Dia da Padroeira do Brasil era em outra data e não era feriado.

O 12 de outubro era , os professores nos falavam , Descobrimento da América , aquela data do La Pinta , La Niña e La Santa Maria, mas não explicavam muito, ué , porque til no n? ué se fosse Ninha não seria assim? isso elas não explicavam.

Ah ! Doze de Outubro , é aquele time lá da Vacaria…então está bom.

Eu falei de professores, sim , quando adentravam à sala de aula , os alunos levantavam e só sentavam após a sua autorização. E se levássemos uma anotação que teria que ser lida e assinada pelo pai ou responsável, que fria…

Por isso nos era ensinado o respeito e a hierarquia, dentro de casa, vai pro quintal que é conversa de adulto. Prá que saber de problemas, se não precisávamos daquele assunto ? o que nos importava era ser criança , ouvir a cantiga de ninar, os pais contarem historias da família e brincar, brincar, enfim todos os dias e o dia todo eram das crianças.

Jayme Antonio Ramos