MINGO NO LIVRO DO LAUDO

Hoje temos um trecho  do depoimento do Mingo, do livro do Laudo José Paroni.

Futebol à parte, interessante registrar que o Pari, nas décadas de 40 e 50  concentrava várias empresas de  grande e  médio  portes, entre elas a Fabriquinha ( apelido carinhoso dado à Companhia Nacional de Juta, firma inglesa que dispunha, já naquela época, de creche para os filhos das funcionárias )(NB: Companhia Anglo-Brasileira de Juta)( o nome fabriquinha era devido à comparação feita com a antiga e enorme fábrica do Brás da família Penteado chamada Juta Santana), Álcool Mateus, Leite União, Matarazzo, Móveis de Aço Fiel,  Balanças Filizolla, Gráfica  Bignardi, Leite Vigor e as do ramo do doce. Emprego não faltava. A Fabriquinha, anos mais tarde, mudou-se para o Amazonas e parte do seu enorme prédio, situado na esquina das Ruas Thiers e Hahnemann,   contiunua lá, firme, para quem quiser ver. Hoje, abriga a Alumínios Globo(NB: na verdade agora em 2011, uma grande parte foi demolida e serão construídos mais armazens para o movimentado ramo de utensílios domésticos e papelaria , que lidera o comércio na região ).

Símbolo do IV Centenário de São Paulo

Ainda na segunda metade dos anos 40, quando  eu cursava o primário no Grupo Escolar Santo Antônio do Pari , uma figura um tanto quanto sinistra metia medo na molecada. Tratava-se do seu Maurício, o servente da escola, que, na nossa imaginação, era o “Homem da Capa Preta” , misterioso personagem  que seqüestrava e matava crianças. Certo dia, alguém deu o alarma: “Cuidado com o Capa Preta. Ele está aqui!” Lembro-me que, apavorado,  corri para dentro da  igreja e só saí de lá acompanhado por um padre…

Tempos depois, vimos que tudo não passava de boato, seu Maurício era gente boa, gente normal.  Mas  a lembrança da sinistra figura ficou  gravada para sempre na memória dos garotos daquela época.

Entre as décadas de 40 e 50, dois colégios se destacavam: o Liceu Acadêmico São Paulo, dirigido pelo professor Argemiro Passeto e com a carrancuda  Dona Ivone na secretaria , e o Ginásio Paulista, com o austero professor Lino na direção. Entre seus muitos alunos, cito o Nilsão– que pulava a janela que dava para a rua quando a aula era chata demais.

DOMINGOS CURCI SOBRINHO

REFLEXÕES DO CURSINI

Muitas vezes somos contrários à natureza das coisas → percebam que é mais fácil pedirmos perdão do que perdoarmos verdadeiramente. – “Ah! Tudo bem, sem problemas, tá tudo ok, falou?” – Muitas vezes é mentira – perdoamos da boca pra fora, mas lá dentro, essa pessoa continua fervilhando e não vai perder por esperar – Será que isso é normal ou nem sempre o bem vence o mal – Claudio Cursini

PARI É TRADIÇÃO

HISTÓRIA E MEMÓRIA

Pari

Suas origens remontam ao século XVI, pois em 1593 já se ouvia falar no CAMINHO DO PARI. Já em 1620 este bairro era um dos principais, em uma procuração feita pela Ordem do Carmo. Da Revista do Arquivo de Amador Florence, encontramos dados do recenseamento de 1765. Pari, quase só de gente humilde, não reunindo então mais do que 14 casas em que moravam 72 pessoas, que em sua maioria se ocupavam da pesca. Daí a sua denominação, originada de um processo primitivo de pescaria: pari, cerca ou tapume de taquara ou de cipó com que se cercava o rio de margem a margem, desde os primeiros tempos da povoação.

O pari começou a ser urbanizado em fins do século passado. Um dos primeiros benefícios do bairro foi a criação da “PARÓQUIA DE SANTO ANTONIO DO PARI”.

Foi oficialmente fundada por decreto de 2 de fevereiro de 1914, a 8 de mesmo mês e ano.Destacando os nomes dos sacerdotes: frei Rolim, frei Olivério e frei Paulo. Por estar próximo ao centro da cidade de São Paulo o bairro cresceu e desenvolveu intensamente. Pela lei nº 8.637 de 30 de agosto de 1934 o Pari foi elevado a categoria de 25º Subdistrito da Capital.

Em sua área que era 5,46 Km2, abrangia Vila Guilherme e vilas adjacentes, e o Canindé. Em 1964 a Vila Guilherme se desmembrou deste. Portanto o Sub-distrito do Pari, além da sede, abrange somente o bairro do Canindé, cuja suas origens remontam ao século XVI, quando era conhecido por GUARÉ, onde os bandeirantes passavam. Em 1856 o referido bairro era constituído da Chácara Couto de Magalhães que no fins do século XIX, foi loteada, e ganhou o nome de uma das principais cidades do Norte Brasileiro, que é CANINDÉ no Estado do Piauí.

Curiosidades

O termo pari vem do tupi e significa armadilha, lugar cercado para apanhar peixes.

Notícias esparsas da Câmara, séc. 17, falam de habitantes na região, portugueses e remanescentes tribais, “mamelucos”, da “língua geral” codificada e ensinada pelos missionários jesuítas.

Era uma região de alagamentos, vizinha dos rios Tietê e Tamanduateí. Segundo o filólogo Silveira Bueno, Tietê – composto de ty – y = água, líquido, rio, mais etê ou eté = verdadeiro, legítimo – seria o “rio por excelência”, estrada de comunicação principal dos indígenas e posteriores bandeirantes. Tamanduateí (y), de tamandetaí, vem a ser “o rio de muitas voltas”, muitos meandros, contornando a cidade.

Os peixes vendidos no centro da vila, eram pescados principalmente nos rios Tietê e Tamanduateí; estes rios possuíam na época lugares piscosos e próprios para a instalação de “paris”. “Pari” era uma cerca de taquara ou de cipó, estendida de margem a margem, para pescar peixes; tal instrumento veio a dar nome ao bairro do Pari.

Foto
Título: [Igreja Matriz de Santo Antônio do Pary]
Autoria: Sebastião de Assis Ferreira
Local: São Paulo – SP
Data: [1932]
Acervo Biblioteca Mario de Andrade

Foto que nos foi enviada pelo amigo do blog o  Jornalista pariense nato e convicto C. Eduardo Entini.

Nesta foto vemos o nosso larguinho quase sem árvore . Quando foram plantadas

várias árvores lá por 1937, o meu pai da sacada da sede do Pary Club, via e medi-

tava se ele veria aquelas árvores crescer ou não. Ele as viu crescer , ficarem frondosas

e elas ainda lá estão.

Ainda na foto observamos o prédio da Cia. Anglo Brasileira de Juta, bem do lado direito da foto,

no alto , vemos um pedaço da frondosa figueira que havia no local onde anos mais tarde foi construído o Edifício Vautier.

A enorme cruz pendurada entre as duas torres, foi retirada na época da II Grande Guerra, pelo ,pasmem, DOPS,  Departamento de Ordem Política e Social, polícia política do Ditador Getúlio Dornelles Vargas, que julgava ser a mesma, uma torre de transmissões de espiões nazistas para a Alemanha de Hitler. Tudo porque havia um grande número de frades germânicos no Convento.

Ó santa ignorância, espionar o que?

Jayme Ramos

DRAGÃO DO PARI

Jogo realizado em 10/7/1965, Brás Seller, edição de 18 a 24/7/65

Numa das  buscas em meus arquivos, encontrei vários recortes de um jornal que não existe mais o Brás Seller.

Toda semana eu mandava os dados para a Redação , que ficava na Rangel Pestana e eles publicavam a matéria , sempre sobre o nosso time lá da Rio Bonito, o Dragão do Pari F. S.

Este nome era em homenagem ao E. C. Dragão Paulista, que jogava futebol de campo, desde que fora fundado em agosto de 1924.

Podemos dizer que o Dragão Paulista foi o precursor do Montreal Club e o Dragão do Pari o precursor do Pedaço da Alegria F. S., lá do Bar Pif- Paf.

Voltando ao nosso querido Dragão do Pari, neste recorte fala-se de um jogo memorável no alçapão do Senca em que nós vencemos por 5 a 2 , mas a partida foi disputadíssima do começo ao fim, o redator do periódico se enganou e escreveu SESI .

Na escalação vemos o Ariovaldo , o Jayme ( este que vos escreve), Nelson, Laércio Arruda ( que enviou uma crônica bonita para o nosso blog), Odailton, o meu irmão e artilheiro Josir, Fernando  ( por onde anda?, parece que mora na Inglaterra ), Gilson, nissei que nunca mais se ouviu falar, enfim

um time forte e que fez sucesso no Pari.

Tempinho bom…

Jayme Ramos

GUILHERME MOÇAMBIQUE OPINA

                                        GUILHERME MOÇAMBIQUE OPINA

A seleção está desse jeito porque a mentalidade do povo brasileiro a mantém assim. Temos que olhar um pouco mais para o nosso umbigo, engolir o orgulho, e admitirmos que já não somos mais os melhores do planeta. O futebol evoluiu, como qualquer outro esporte e já não tem mais bobos participando dele, que os 7 a 1 sirvam para que as entidades olhem com mais carinho para a modalidade esportiva brasileira que está, nesse momento, respirando por aparelhos na UTI do descaso. O Brasil não é só o país do futebol.

CADA RUA COM SUA TURMA

CADA RUA COM SUA TURMA

Entre os meus 9 e 10 anos, lá pelos idos de 1952, eu morava na Rua Coronel Morais, que ainda não era asfaltada. Era a época em que predominavam as turminhas. Cada rua tinha a  sua turma de jovens, com suas qualidades, defeitos e diferenças. Havia uma certa rivalidade entre elas, mas uma rivalidade meio disfarçada, que não chegava a ter maiores conseqüências, a não ser nas peladas disputadas nas ruas. Cada turma pensava, agia   e reagia mais ou menos do  mesmo jeito, gostavam das mesmas coisas, freqüentavam o mesmo cinema. Essa coincidência de gostos e tendências identificava e aproximava  os integrantes do grupo.

Lembro-me pelo menos de uma pessoa de cada turma, entre elas o Borba, da Rua Rio Bonito; o Ludovico, da Rua Padre Lima, e  o Arlindo, da Rua Coronel Morais. Não que eles se sobressaíssem sobre os demais. São apenas personagens que ficaram na minha memória. Recordo-me também dos jogos de futebol entre as turmas, disputados geralmente nos dias de semana. Normalmente, as peladas acabavam em pancadaria, Não dá para esquecer, por exemplo, que num desses jogos, na Coronel Morais, eu estava sentado na calçada em frente da minha casa, acompanhando os lances. De repente, estourou uma briga feia. Vi o Nicola correr atrás de um cara com um pedaço de pau na mão, mas não fiquei para saber o resultado. Precavido, entrei em casa, porque a confusão foi  grande e assustava.

Tempos depois, quando já tinha 12 ou 13 anos, comecei a freqüentar a esquina da Capitão-Mor Passos com a Rio Bonito, onde aprendi a admirar o time do Aliança, cujos jogadores saíam fardados do bar do Virgílio. Jogavam na equipe Nilson ( goleiro), Rui, Nardinho, Tito, Nardão, Waldir, Mingo e Carlinhos, entre outros. Aos 15 anos, eu já jogava no segundo time do Aliança como ponta-direita, ao lado do Mário TV, Wilson (goleiro), Porquito e  Souzinha, para citar alguns.

Naquela época, os pontos de encontro dos amigos eram o bares do Virgílio,   do Teixeira,  da Toca, do Peitudo e do Tio Zé. Neles se reuniam os grupinhos que, normalmente, faziam os programas juntos

Mais um trecho do Livro de Laudo José Paroni sobre memórias do Pari.

Agora temos mais uma parte do depoimento do Vicentinho, craque den-

tro e fora de campo, um verdadeiro gentleman, muito educado, uma pes-

soa séria, honesta.

Joguei algumas vezes no Montreal Club e tive o prazer de jogar a seu lado.

É muito fácil jogar ao lado de quem sabe, como por exemplo o Vicentinho.

Vários nomes que ele cita em seu depoimento , para não dizer todos, fazem parte da minha memória.

São de quase uma geração acima da minha e a cada nome que o Vicente cita,

como um filme, parece que vou visualizando mentalmente cada um deles.

Foi um tempo bom , o Pari era um bairro diferente do que é hoje.

Hoje o bairro está passando por uma metamorfose, um comércio pujante, um

movimento febril de construções, um progresso enorme.

Ao mesmo tempo que passa por essa transformação, o bairro  permanece no

coração do pariense , sempre orgulhoso da História da sua garbosa República

do Pari.

Jayme Ramos

PROJETO TIETÊ

Várias vezes tenho falado sobre um mega projeto do então prefeito sr. Jânio da Silva Quadros, de
nome Projeto Tietê. Falarei em capítulos sobre esse devaneio do prefeito, que desapropriaria
cerca de oito quilômetros da margem sul do rio Tietê, da Vila Anastácio até a Penha , por exemplo no Pari a desapropriação iria da Marginal até a Rio Bonito. Este recorte da Folha de São Paulo, do dia 18 de junho de 1986 informa sobre o decreto que declara  de utilidade pública
para fins de desapropriação toda a área.
Este decreto assinado pelo ilustre alcaide paulistano, proporcionou várias internações de pessoas no bairro, com hipertensão, crises de diabetes e até infartos do miocárdio.
Pari que ajudara a eleger o sr. Quadros, se sentia traído. Pessoas praguejavam contra o sr. Jânio, eu vivi todo esse drama. Há que se destacar como artífices do plano várias pessoas tendo como chefe o homem da vassourinha, dentre eles o autor do projeto arquiteto Niemeyer, o secretário municipal do Planejamento e genro do prefeito sr. Marco Antonio Mastrobuono e outras figuras de menor importância na hierarquia.
A mobilização dos parienses foi maior ainda do que a mobilização havida em 1972, quando num projeto do vereador Neylor de Oliveira a rua Bresser rasgaria o Pari para se ligar com a Cruzeiro do Sul. Na época o então vereador dr. Sampaio Dória liderou um movimento na sociedade e na Câmara Municipal e o plano diabólico não passou.
Como dizia , em 1986 a  movimentação foi enorme e nos outros capítulos , nomes de valor aparecerão e eu estou aqui para fazer justiça a várias pessoas que deram tudo de si, para o resultado final de cancelamento do projeto.
Jayme Ramos

Pesquisa com colaboração de Cíntia Ramos

SUELI SAKUMOTO E SEU BELO TEXTO

Toda história começa com ” era uma vez” …

A minha vai começar assim :

Um dia… Em algum lugar … Sofri bulling .

Uma pessoa que pouco ou mal me conhecia, ia de pessoa em pessoa, de grupinho em grupinho , dizendo:

– Cuidado com ela! Ela tem olho meio puxado, de COBRA!

Esse comentário se espalhou e de pessoa em pessoa, rodinha em rodinha, eu era observada e mudaram , maldosamente, a frase que maldosamente foi ” plantada” : eu virei a COBRA.

Sinônimo de perigosa !
Venenosa!

Por um tempo isso me incomodou…

Depois , deixou de me incomodar, porque ” olhos meio puxados ” nao são indicadores de bom ou mau caráter!

Muito antes desse período eu já nao aceitava chamar pessoas de modo maldoso.

Tipo: baixinho, gordinha, miudinho, gaguinho, surdinho, coroa ,magrela , perneta, manquetola, negao , branquela, etc…

O máximo do que eu uso , e’:

Linda, porque a pessoa e’ linda por dentro e por fora!

Divina, quando a aura resplandece !

Amada , quando meu coração assim sente !

( imagine que a pessoa era gorda, com braços gordíssimos e peludos! E eu sempre a chamei pelo nome próprio! )

Isso aconteceu !

Essa história poderia ter começado também assim:

” Era uma vez , lá pelo ano de 2002 , em uma cidade chamada M … ”

Mas faz tanto tempo!
Nem vale a pena!

Boa noite meus amados!
( porque assim meu coração os sente! )

LIVRO DO LAUDO SEGUNDO VICENTINHO

Porta da Sede do Montreal com Carlinhos, Aldinho, Pascoal, Irineu, dois que não

lembro, Wilson, Luciano, Sr. Justino e Dóia.

Para ilustrar , vemos uma foto da fachada da sede do Montreal.

Naquela época, os pontos de encontro dos amigos eram o bares do Virgílio,   do Teixeira,  da Toca, do Peitudo e do Tio Zé. Neles se reuniam os grupinhos que, normalmente, faziam os programas juntos:

1 – Nico, Heitor, João Abacaxi e Dóia.

2 – Mossoró , Balaço, Cabeça, Lino, Quirijo ( pai ) e Touguinha.

3 – Aldo e Jóia.

4–Armandinho, Seu Zé, Rolinha, João , Luciano, Vadinho, Irineu e Daniel.

5 – Nardão, Petinha, Carlinhos e Vadão( primo do Nardão).

6- Paschoal, Wilson e Souzinha.

7 – Flávio , Irineu Grande, Parrilha, Hosmane  e Berto.

8 – Waldir , Mário TV e Nelson da Coronel Morais.

9-  Rubinho, Américo, Osmar e Oswaldo Delegado.

10 – Dr. Alfredo, Salmoura e Ditinho.

11- Wilson Gordo e Mário Queixada.

Por ser mais novo que o pessoal citado, eu fazia parte de um outro grupo, formado por Duro, Aldinho e Montecchio. Os irmãos Mingo, Tito e Nicola não integravam uma turma específica. Estavam  presentes em todas.

Aos sábados e domingos, disputar rachões na Rua Capitão-Mor Passos era programa obrigatório, apesar das encrencas com a “Advogada”, uma senhora que armava o maior escândalo para acabar com  a pelada.  O apelido lhe foi dado pela sua mania de querer mandar na rua.

Era uma época em que ninguém tinha automóvel, exceção do Vau e dos irmãos Curci (quando conseguiam pegar o carro do pai, Sr. Ademar) . Os programas eram feitos na base do ônibus, que deixava os passageiros na Praça Clóvis, e do bonde, que ia até o Largo São Bento. Como a grana era curta, o meu grupinho costumava ir à Praça Padre Bento, o Larguinho, para paquerar as meninas. O footing, um costume da época, terminava por volta das 21 horas. A praça ficava vazia e o grupinho voltava aos pontos de encontro para  continuar a bater papo e a observar que o João Ratão já tinha bebido mais uma caipirinha  – talvez a décima da noite.

Não era muito chegado a cinema. Os melhores e mais interessantes filmes, geralmente,  eram impróprios aos menores de 18 anos. Na época, Mazzaroppi fazia sucesso com “A Carrocinha”, filminho inocente, tipo água com açúcar. Quando atingi a maioridade, fui ao Savoy ver “A Ilha do Desejo” – por sinal uma droga de filme – e fiquei muito bronqueado porque o porteiro não pediu documento. Onde já se viu? Demorei tanto para fazer 18 anos e quando fiz ninguém pediu nada… Senti-me frustrado. Gina Lollobrigida, Sophia Loren e Marylin Monroe dividiam a preferência masculina, enquanto Tony Curtiss, Rock Hudson, Tyrone Power e Burt Lancaster faziam sucesso co m a mulherada.

No final da semana em que completei 18 anos, o Nardão me levou para conhecer o Avenida Danças. Alugou uma mesa, pediu cerveja e amendoim e me apresentou a uma táxi-girl. Depois de dançar um pouco, entreguei o cartão  para ela picotar o tempo gasto, como era de praxe. Pra variar, o Nardão bancou tudo.

Em 196l, nasceu no nosso pedaço o Montreal Clube. O nome escolhido foi uma homenagem ao Rubinho, que foi jogar no Canadá, no Soccer Club de Montreal. Imbatível no futebol de salão, em pouco tempo a equipe tornou-se famosa em toda a cidade.

LIVRO DO LAUDO

As histórias de Laudo

Eu havia lido apenas  o depoimento do Nardão,muito bonito por sinal. Os outros são comoventes,pois trazem à tona, pessoas e acontecimentos que estão na minha memória para sempre.Sem citar o exemplo do meu pai, é claro, pessoas como o Duca, o Salmoura, o Dóia, etc, estão indeléveis não só nos meus pensamentos , como nos de todos que com eles conviveram nos momentos tristes e alegres e que tornaram a nossa República do Pari,  o bairro doce de São Paulo. Doce, não só pelas inúmeras fábricas de” produtos alimentícios e biscoutos em geral”como se denominavam então, como doce era o convívio entre as pessoas que tiveram o privilégio de fixar morada , neste pequeno bairro do cinturão histórico de Sampa.                       Laudo, num domingo à tarde, cerca de 5 horas, lendo estes depoimentos,não teve como segurar, as lágrimas brotaram,umas de alegria , outras de tristeza, sei lá, quais são estas , quais são aquelas, não dá para segurar.                                                                                                                                      Laudo , um pensamento, uma história, vai puxando outra e entre sorrisos e lágrimas, vem à mente, tantos acontecimentos, um verdadeiro turbilhão, uma verdadeira máquina do tempo.Mas , em sua homenagem , por ser quem você é, um abnegado pela causa pariense, não poderia esquecer de render as minhas homenagens sinceras a um homem que me deixava embevecido, desde a minha meninice, o “seu” Paroni, seu saudoso pai . Com ele, ouvi histórias lindas, principalmente da sua querida Amparo. Amparo, que anos mais tarde, estando eu em Bragança Paulista, com minha esposa e meus pais , fomos conhecer e fomos unicamente em homenagem ao Nenê de Amparo. Com ele, aprendi a distinguir, a diferença entre vários dialetos do norte da Itália, graças à sua memória esplêndida e à sua narrativa , que prendia a atenção de todos que os cercavam, seja na venda do meu pai, seja na loja de acessórios também.                                                     Tudo isso acabou? não , tanto não acabou, que nós estamos narrando fatos e pessoas que fazem parte da nossa vida, da vida do Pari e da vida , de nossa querida São Paulo de Piratininga.Tão ultrajada, tão conspurcada, tão violentada, vítima da mais cruel ingratidão, por parte de muitos , que dela se servem.                                                                                                                                                          Porém a nossa São Paulo, a quatrocentona, permanece linda, altaneira, imune aos ataques, orgulhosa, graças ao amor de seus filhos , natos ou não, mas que a amam, a veneram e a glorificam.                                                                                                                                                                           Estamos falando do Pari ou de São Paulo? é a mesma coisa,como dizia o sábio seu André, idoso que a cada pitada do seu cachimbo, soltava um autêntico veredicto após longa baforada, é a mesma coisa dizia.Sim , São Paulo e o Pari, cresceram juntas, ambas quatrocentonas, pois em inúmeros momentos da vida paulistana, desde o século XV, lá está o Pari.Seja nas procissões fluviais que por aqui passavam indo em direção, ora da Penha , ora da Freguezia do Ó. Seja , na Av. Vautier ,21,berço da Revolução de 1924, seja nos momentos em que o povo pariense, enfrentou, liderado inclusive por você saudoso Laudo, a sanha demolidora de prefeitos gananciosos e ou bêbados inveterados.Seja pela projeção de parienses de vulto , em todos os ramos da atividade, lá está o nosso querido Pari.                                                                                                                                              Pari, que na língua tupi, quer dizer resumidamente , armadilha para peixes, não , não é armadilha só para peixes, é para as pessoas também, pois quem se enreda nessa armadilha, jamais dela escapa, aliás,nem quer escapar.                                                                                                                E lá vou eu citar as palavras do pai do Duca,o velho e sábio seu André”Quem bebe a água do Pari, sempre vorta, he, he, he”.                                                                                                                                     Laudo, muito obrigado por estes momentos da mais pura emoção, que você me proporcionou, por isso que não quis ler lá no Pif, eu sabia que iria chorar e lá vem de novo a figura do velho André:” Homi num chora,he,he,he”.                                                                                                                              Um abraço saudoso ,amigo Laudo , que claro está com seu André na morada eterna ,de um “homi “que chora, sim e como chora, discurpi seu André, discurpi,snif,snif.

Jayme Ramos

REFLEXÕES DO CURSINI

Sabe um bom exercício pra você exercitar o seu Português (não o da padaria), aquele do idioma? Escolha uma frase, qualquer uma que você goste – grande ou pequena – e tente ampliá-la, digamos assim, desenvolver uma frase e fazer dela meia página de caderno. Isso vai remexer seu cérebro e ele terá que fornecer ideias e vocabulário para que você faça um bom trabalho. Esse é um tipo de brincadeira que o seu cérebro (não enferrujado ainda) adorará. E quem sai ganhando é você sabia? Experimente… → Claudio Cursini

OSVALDO PASCOAL É DO PARI SIM SENHOR

Osvaldo Pascoal Pugliese, ou simplesmente, Osvaldo Pascoal, o comentarista legal. É paulistano, nascido no bairro do Pari, cursou jornalismo e iniciou sua carreira como repórter da Rádio Metropolitana de Mogi das Cruzes, teve uma passagem pela Rádio Globo em 1986, depois seguiu carreira na TV na qual foi repórter da Band por dez anos. Desde 2004 retornou a Rádio Globo para ser comentarista esportivo da emissora e também apresentar o noticiário Globo Cidade. Atualmente está no Fox Sports .Além disso, Pascoal já trabalhou como gerente de futebol – Goiás, Vila Nova, Figueirense e Guarani – e também é autor do livro Sai da rua, Roberto! Obra no qual relata a vida de Roberto Rivellino.

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Quando você decidiu cursar jornalismo?

Quando era menino ouvia rádio todos os dias, adorava as transmissões esportivas. Colocava o travesseiro em cima do rádio e dormia ouvindo jogos. Decidi, queria fazer este tipo de trabalho, ser repórter era meu objetivo.

MATÉRIA EXTRAÍDA DO SITE:

Na Mira da UPA

NARDÃO E O IV CENTENÁRIO

ANOS DOURADOS

Corria o ano de 1954. Tempo de Copa do Mundo na Suíça, comemoração do IV Centenário da cidade, inauguração da Catedral da Sé, o suicídio de Getúlio Vargas, Café Filho assume a presidência da República, Lucas Nogueira Garcez governa o Estado, Jânio Quadros é o prefeito  da Capital. E eu no apogeu dos meus 20 anos de idade.

Tudo era festa, mesmo com a nossa seleção não chegando às finais da Copa. Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos disputavam o campeonato paulista, aparecendo a Portuguesa, com um timaço, correndo por fora. O Corinthians fica com o título . No Rio,  o  Flamengo sagra-se campeão carioca, com  um time de arrasar.

Lembro-me perfeitamente dos dias maravilhosos que passávamos naquela época. Podia-se andar tranqüilamente pelas ruas, tanto de dia como à noite. Não existiam tantas modalidades criminosas – tráfico de drogas, seqüestros e outros do gênero. A ocorrência mais comum era a ação dos batedores de carteira. Tiravam a carteira do bolso da vítima com tanta habilidade que  eram conhecidos como “mão leve”. O ladrão mais famoso, o Meneghetti, entrava nas casas sem fazer o menor ruído  e… desarmado! Só queria mesmo o dinheiro. Quando cercado pela Polícia, dava um verdadeiro “baile” nos homens da lei. Furava o cerco pulando os muros dos quintais ou escapando pelos telhados. O traficante de maconha mais popular ( naquela época Joaquim Pereira da Costa, Quinzinho -, morador do Canindé, vizinho ao nosso Alto do Pari. Puxou muito tempo de cadeia e, além de traficante, era também cafetão. Chegou a dividir com Hiroíto o “reinado” da Boca do Lixo. Mais violento que Quinzinho, Hiroíto era também assassino. Assim, vez ou outra, eu  ficava sabendo de alguns amigos que fumavam maconha, mas nenhum deles ficou dependente da droga.

Bares, quitandas e vendas existiam aos montes. Naquele tempo não havia supermercados e shopping centers, tão comuns hoje. Só no nosso quarteirão, entre a Rua Rio Bonito, esquina com a Rua Itaqui  e a Rua das  Olarias, até a  esquina com a Avenida Carlos de Campos, localizavam-se as vendas do seu José, do Jaime e do Claudino. Entre os bares, estavam o do Virgílio, do Peitudo, do Teixeira e do Farelli, o Pif-Paf. A quitanda era do Natalino e a padaria, da Família Tempone, chamada Padaria Brasil. Os telefones eram raros: só o Tempone (  aparelho  muito usado pelo seu Armando, pai do Waldemarzinho, o bicheiro mais conhecido do pedaço) e o Pif-Paf dispunham desse  meio de comunicação. A única loja desse trecho era da dona Palmira, cuja irmã, dona Ea, era famosa costureira.

Cinema era o maior entretenimento. Alguns exigiam que o público usasse                                terno e gravata e a televisão apenas engatinhava. O bairro tinha os cines Savoy ( Rua Mendes Júnior), Rialto ( Rua João Teodoro com Avenida Vautier ) e, mais tarde, o Haiti, na Rua Canindé. No vizinho Brás havia o Oberdan,  o Brás Politeama,  o  Roxy, o Babilônia, o Glória, o Piratininga e o Universo. Neste, o teto  era retrátil, isto é,  abria-se quando a noite era  de calor e lua cheia, permitindo que se visse o céu cheio de estrelas. Infelizmente, todos foram fechados.Agora, cinema só nos shoppings.    

OS VÁRIOS SAMPAULINHOS DO BAIRRO

Quadra do C. A. Silvicultura ( Horto Florestal ), Sampaulinho do Canindé, um timaço na época,
com Mané, Zé Salomão, Demo, Odair Fininho  e Jaiminho Espanhol.
Esta foto foi extraída do Arquivo do José Salomão.
José Salomão é de uma família de craques, como por exemplo seus irmãos Amériquinho e
Roberto Pelé Branco. Seu pai, um craque o Américo Salomão, que jogou no S. Paulo , no Botafogo de Ribeirão Preto e no Batatais. O Batatais na época era chamado de O Fantasma da Mogiana e tinha um timaço. Disputou uma melhor de três pontos em 1949 contra o Guarani para decidir o título da Segunda e consequente acesso à Primeira Divisão. No primeiro jogo, empate, no segundo na Rua Javari, 2 a 1 para o Bugre e o gol do Fantasma foi de Américo. Acontece que esse jogo ficou para os anais da história da arbitragem , porque não dizer internacional.
O árbitro era inglês  e garfou violentamente o alvi-rubro, praticamente dando o título de mão beijada aos alvi-verdes da Terra das Andorinhas.
O pai de Zé Salomão era muito comentado no bairro porque era um verdadeiro craque e tinha dois irmãos o Ismael e o Mustafá que também eram bons de bola.
Meu pai falava muito nesses irmãos, inclusive um deles tinha um defeito físico ( pescoço torto ) o que não o impedia de ser um cracaço.
Quanto ao time de futebol de salão , o Sampaulinho era do Canindé. Havia um outro Sampaulinho , o do Pari, que jogava na quadra da Estação Tamanduathey do trenzinho da Cantareira, antiga Tranway. Era o time da turma do Laércio Arruda e seus amigos , um outro time  forte.
Havia um outro Sampaulinho do Pari, este de futebol de campo, que era da Rio Bonito perto da Silva Telles, outro time forte da  região, onde jogava o Waltinho Barone, o Matteo eletricista e outros bons de bola da  região.
Havia um Infantil Sampaulinho da Rua Paganini que era do Zézinho do cartório.
Talvez por esse motivo que na época o Tricolor que era do Canindé tinha o lema de ser O Mais Querido.

Jayme Ramos

SACI-PERERÊ NO PARY

DEPOIMENTOS DO SR. JUCA DO PARI
Trecho extraído da obra de Monteiro Lobato:

“Saci-Perere, o : resultado de um inquérito ”

No livro ele ouve vários personagens que declaram ter visto a figura do folclore brasileiro,

entre eles um senhor conhecido pela alcunha de Juca do Pari.

Este conto não pode ser exibido na íntegra e o nosso blog só o exibe a título de divulgação,

pois foi editado pela Editora Globo, sob Licença de

Monteiro Lobato Licenciamentos, 2008

Mais uma informação:

A Inglesa a que o Juca do Pari se refere é o Páteo do Pary e a São Paulo Railway .

Hoje no local está instalado um grande prédio comercial.

LIVRO DO LAUDO POR NARDÃO ( PARTE 3 )

Continuamos com o livro do Laudo José Paroni,” A memória de cada um”, em homenagem ao querido Pari. Vamos continuar com o depoimento do Arnaldo Cerratto, intitulado ” Anos dourados”.

Agora , cinema só nos shoppings … ( Continuação )

Havia outras diversões. No meu caso, como gostava de dançar, nos meses de fevereiro a  abril  aconteciam os bailes de formatura, realizados geralmente no Clube Tietê, na Casa de Portugal, no Clube Homs e no Aeroporto de Congonhas, onde só se permitia a entrada de quem tivesse convite e trajasse smoking. Eu tinha dois – um preto e outro branco. Na maioria das vezes, não tínhamos convite. O jeito, então, era ficar na porta esperando alguma garota desacompanhada para entrar com ela. Os  bailes eram sensacionais, quase sempre comandados pelo excelente  maestro Sílvio Mazzuca, que executava verdadeiras obras primas de Glenn Miller e Ray Connif. A atmosfera romântica permitia que os casais dançassem coladinhos e apaixonadamente.

Além desses bailes familiares, freqüentei muito os mais quentes, nos dancings da cidade: Chuá Danças, na Avenida Ipiranga, e o Avenida Danças, na Rua Aurora, que também não existem mais. Nessas andanças noturnas, meus companheiros eram o Heitor e meu primo Vado. Retornávamos para casa de madrugada, muitas vezes a pé, descendo pela Rua São Caetano, sem ter medo de assalto.

Outro fato que não esqueço: sempre no mês de janeiro, era lançada uma chanchada – filme nacional – com Oscarito e  Grande Otelo no elenco. O filme apresentava músicas, que seriam sucesso garantindo no Carnaval que se aproximava. Uma bela jogada de marketing, como se vê. Gostava dos bailes carnavalescos do Palmeiras e da Portuguesa, considerados familiares, mas sempre que podia ia ao Aeroporto, onde aconteciam os quentíssimos bailes do Arakan Clube, onde as moças eram mais adiantadinhas.

Não fui feliz no futebol. Aos 18 anos, lesionei o menisco do joelho direito, o que me obrigou a encerrar a carreira prematuramente. Fui operar o joelho somente 10 anos depois, cirurgia feita pelo Dr. Senna Manso, então médico da Portuguesa.

LIVRO DO LAUDO COM NARDÃO CONTINUA

Continuamos com o livro do Laudo José Paroni,” A memória de cada um”, em homenagem ao querido Pari. Vamos continuar com o depoimento do Arnaldo Cerratto, intitulado ” Anos dourados”. ( continuação… )

Era também o tempo das capas de chuva e das galochas, de Tony Curtiss e  Tyrone

Power no cinema; de  Pedro Luís e Mário Morais, nos jogos de futebol transmitidos pelo rádio; de Zizinho e  Didi esbanjando categoria nos estádios; das visitas ao cemitário da Quarta Parada todo Dia de Finados. A condução para o trabalho eram os ônibus da  empresa Alto do Pari, via Padre Bento (que tinha ponto inicial na Praça Clóvis Bevilacqua e final na Rio Bonito com Carlos de Campos) e o bonde Canindé, número 49, que partia da Rua Padre Vieira  e ia até o Largo São Bento. Nessa época, muita gente, como eu, trabalhava no centro da cidade e vinha almoçar  em casa. Tínhamos duas horas de almoço ou então levávamos marmita. Vale lembrar que naquele tempo trabalhava-se aos sábados. No fim do mês, o salário era pago em dinheiro e não  tínhamos vale-refeição, vale-alimentação e seguro-saúde.

Pari, Brás e Canindé abrigavam centenas de indústrias, que proporcionavam aos moradores facilidades de emprego. Aliás, vale lembrar que, naquela época, quase não havia desemprego. A mais famosa dessas indústrias – a Matarazzo – mantinha 3 fábricas na região. Eu mesmo , em 1953, trabalhei durante 3 meses em uma delas, que ficava depois da linha do trem, nas proximidades da Rua Oriente. Aos 14 anos,  em 1948, trabalhei   durante algum  tempo na Diziolli, tradicional fábrica de chocolates que ficava na Rua Maria Marcolina , quase esquina com o Largo Silva Telles ( atual Praça República da Coréia ), onde hoje está o Bradesco. Por falar em doce, o Pari e o Canindé concentravam o maior número de fábricas de balas, biscoitos, doces e chocolates da Capital. Elas abasteciam todo o mercado e geravam milhares de empregos. Era muito comum a gente encontrar com pessoas que trabalhavam nessas indústrias. Um primo meu, o Mossoró, por exemplo,  trabalhou na Confiança até o fim da vida.

A Confiança ocupava o quarteirão formado pelas ruas  Thiers, Alexandrino Pedroso,  Hahnemann e Avenida Vautier, mas nem sempre foi assim: o início  foi na Rua Hahnemann e tinha uma porta apenas.  Por volta de 1990, foi vendida à Nestlé, que já a desativou em 2002. A Neusa começou na Rua Pacheco e Silva, esquina com Coronel Morais, antes de mudar-se para a Rua Antônio de Andrade, no Canindé, perto do campo do Serra Morena; a Bela Vista está até hoje na Rua Canindé. A Vênus (Avenida Carlos de Campos) e a Colúmbia (Rua Rio Bonito, perto da Igreja Santo Antônio do Pari) completavam o time das fábricas de doces. No ramo de biscoitos, merecem destaque a Humaitá ( Biscoitos Irerê ), na Rio Bonito, quase esquina com a Olarias, e a Mirus,  na João Boemer. Merecem menção, ainda, a Bandeirantes e a Canola, especializada em balas.

Foi nesse ramo que muitos portugueses conseguiram sua independência financeira. Trabalhavam com caminhões de doce, que levavam a mercadoria  aos mais distantes bairros da Capital, ou nos inúmeros depósitos existentes, onde caminhões de todas as partes do País vinham se abastecer. Muitos imigrantes lusitanos começaram trabalhando com carroças; depois, compraram  furgões, ficaram ricos e mudaram-se para outros bairros. A maioria deles empregou o dinheiro na compra de casas e terrenos  na Vila Guilherme e Vila Maria. ( continua)

LIVRO DO LAUDO COM NARDÃO

Na foto , vemos uma cerimonia de Primeira Comunhão na Capelinha de Na. Sra. Aparecida.

O Arnaldo aparece na foto , em frente ao estandarte , usando roupa clara.

No último bloco das memórias do Arnaldo Cerratto, Nardão, no livro do Laudo José Paroni

vemos uma narrativa emocionante daqueles anos dourados do Pari.

Os cortiços constituíam outra característica desses bairros. Eram comuns e por  baixo aluguel, muito procuradas. No Alto do Pari,  principalmente no fim da Rua Sacramento, quase todas as habitações eram cortiços. Existiam também as vilas. A mais famosa tinha nome: Cheirosa. Era lá que moravam os irmãos Duca, Ovídio e Carlito, a família Macalé e o Faustino. Na Rua Sacramento fica a capela de Nossa Senhora Aparecida, local da minha primeira comunhão e muito freqüentada pela garotada das imediações. Nessa igreja, aos sábados à noite e aos domingos, na matinê, eram exibidos filmes, projetados pelo seu Maurício. Aprontávamos as mais incríveis loucuras com os moleques que se posicionavam na coluna da frente das cadeiras.

Naquele tempo, era possível pescar no Tietê. Lembro-me bem das competições esportivas realizadas no rio, uma delas a travessia a nado. Lá pelos idos de 1944, as piscinas do Clube de Regatas Tietê e do Espéria (denominado Floresta na época da Segunda Guerra) eram  cochos, quadriláteros formados dentro de rio, cercados por madeiras. Os cochos eram uma espécie de engradados, limitados por suas cercas. Nadei e pesquei muito no Tietê. Ao lado da sede e  do campo do São Paulo FC havia uma lagoa, paraíso dos pescadores e das lavadeiras. Em 1956, a Portuguesa comprou a propriedade do São Paulo e iniciou ali a construção do antigo estádio, o Ilha da Madeira , alusão ao material usado nas arquibancadas e gerais. Por volta de 1960, a Lusa começou a aterrar a lagoa, que desapareceu do mapa alguns anos depois. Em 1972, foi inaugurado o atual estádio, todo em concreto.

Trem das Onze,famosa composição de Adoniran Barbosa, nos dá uma boa ideia da ferrovia do ramal  da Cantareira, pertencente à Estrada de Ferro Sorocabana,  que ligava a cidade ao Horto Florestal e ao Jaçanã. A estação, chamada Tamanduateí, ficava na Rua João Teodoro com a atual Avenida Cruzeiro do Sul, muito diferente do que é agora. O trenzinho passava por ela em terreno elevado e passava sobre o Tietê. Além da Sorocabana, havia ainda as ferrovias Santos-Jundiaí, Mogiana  e Central do Brasil. Naqueles tempos usava-se muito o trem como meio de transporte. Fiz muitas viagens para Ourinhos (pela Sorocabana), Espírito Santo do Pinhal (pela Santos-Jundiaí com baldeação para a  Mogiana) e Rio de Janeiro (pela Central do Brasil).

Sou de uma época em que  acompanhávamos os jogos de futebol pelo rádio, assim como a novela das seis. Sou do tempo dos bondes, dos trens, do rádio, da máquina de escrever, da galocha e de muitas outras coisas que a geração atual  talvez nem tenha conhecido. Sou da geração da Segunda Guerra Mundial, da bomba atômica de Hiroxima e Nagasaki, do nazismo de Hitler, do holocausto dos judeus, de Mussolini e Stalin – barbaridades  que, infelizmente, tive de acompanhar ao longo da minha juventude.

ARNALDO CERRATO