LIVRO DO LAUDO POR NARDÃO

Na foto , vemos uma cerimonia de Primeira Comunhão na Capelinha de Na. Sra. Aparecida.

O Arnaldo aparece na foto , em frente ao estandarte , usando roupa clara.

No último bloco das memórias do Arnaldo Cerratto, Nardão, no livro do Laudo José Paroni

vemos uma narrativa emocionante daqueles anos dourados do Pari.

Os cortiços constituíam outra característica desses bairros. Eram comuns e por  baixo aluguel, muito procuradas. No Alto do Pari,  principalmente no fim da Rua Sacramento, quase todas as habitações eram cortiços. Existiam também as vilas. A mais famosa tinha dois nomes – Cabeça de Porco ou Cheirosa. Era lá que moravam os irmãos Duca, Ovídio e Carlito, a família Macalé e o Faustino Louco. Na Rua Sacramento fica a capela de Nossa Senhora Aparecida, local da minha primeira comunhão e muito freqüentada pela garotada as imediações. Nessa igreja, aos sábados à noite e aos domingos, na matinê, eram exibidos filmes, projetados pelo seu Maurício. Aprontávamos as mais incríveis loucuras com os moleques que se posicionavam na coluna da frente das cadeiras.

Naquele tempo, era possível pescar no Tietê. Lembro-me bem das competições esportivas realizadas no rio, uma delas a travessia a nado. Lá pelos idos de 1944, as piscinas do Clube de Regatas Tietê e do Espéria (denominado Floresta na época da Segunda Guerra) eram  cochos, quadriláteros formados dentro de rio, cercados por madeiras. Os cochos eram uma espécie de engradados, limitados por suas cercas. Nadei e pesquei muito no Tietê. Ao lado da sede e  do campo do São Paulo FC havia uma lagoa, paraíso dos pescadores e das lavadeiras. Em 1956, a Portuguesa comprou a propriedade do São Paulo e iniciou ali a construção do antigo estádio, o Ilha da Madeira , alusão ao material usado nas arquibancadas e gerais. Por volta de 1960, a Lusa começou a aterrar a lagoa, que desapareceu do mapa alguns anos depois. Em 1972, foi inaugurado o atual estádio, todo em concreto.

O Trem da Onze,famosa composição de Adoniran Barbosa, nos dá uma boa idéia da ferrovia do ramal  da Cantareira, pertencente à Estrada de Ferro Sorocabana,  que ligava a cidade ao Horto Florestal e ao Jaçanã. A estação, chamada Tamanduateí, ficava na Rua João Teodoro com a atual Avenida Cruzeiro do Sul, muito diferente do que é agora. O trenzinho passava por ela em terreno elevado e passava sobre o Tietê. Além da Sorocabana, havia ainda as ferrovias Santos-Jundiaí, Mogiana  e Central do Brasil. Naqueles tempos usava-se muito o trem como meio de transporte. Fiz muitas viagens para Ourinhos (pela Sorocabana), Espírito Santo do Pinhal (pela Santos-Jundiaí com baldeação para a  Mogiana) e Rio de Janeiro (pela Central do Brasil).

Sou de uma época em que  acompanhávamos os jogos de futebol pelo rádio, assim como a novela das seis. Sou do tempo dos bondes, dos trens, do rádio, da máquina de escrever, da galocha e de muitas outras coisas que a geração atual  talvez nem tenha conhecido. Sou da geração da Segunda Guerra Mundial, da bomba atômica de Hiroxima e Nagasaki, do nazismo de Hitler, do holocausto dos judeus, de Mussolini e Stalin – barbaridades  que, infelizmente, tive de acompanhar ao longo da minha juventude.

ARNALDO CERRATO

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